Sessão já ocorria sob clima de tensão após a Guarda Civil Metropolitana, por meio da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), disparar balas de borracha e spray de pimenta contra manifestantes contrários ao governo Melo
O vereador bolsonarista Marcelo Ustra Soares (PL), sobrinho do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, apresentou nesta terça-feira (15) um requerimento à Mesa Diretora da Câmara Municipal solicitando autorização para entrar armado no prédio do Legislativo. O pedido foi feito, segundo o parlamentar, em razão da permissão para entrada de manifestantes durante as sessões plenárias.
A sessão, que já ocorria em clima de tensão após a Guarda Civil Metropolitana, por meio da Ronda Ostensiva Municipal (Romu), disparar balas de borracha e spray de pimenta contra manifestantes contrários aos projetos de concessão parcial do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) à iniciativa privada, pela gestão do prefeito Sebastião Melo (MDB), foi interrompida.
A confusão se deu após a presidente Comandante Nádia (PP), bolsonarista, acionar o protocolo de segurança, restringindo o acesso. A sessão foi retomada às 18h, sob protestos da oposição, e encerrada 30 minutos depois. O requerimento de Ustra não foi analisado.
Nas redes sociais, a ação de Ustra gerou repercussão e críticas de parlamentares da oposição, que classificaram o pedido como uma tentativa de intimidação política. “Imaginem o que aconteceria se a extrema direita estivesse armada durante a repressão de hoje. Isso é o conceito de democracia e diálogo para a base do governo Melo?”, publicou a vereadora Nathalia Ferreira (PT) em sua conta no X (antigo Twitter). https://d-32756389041361764139.ampproject.net/2509191850000/frame.html
No vídeo, Marcelo se aproveita da confusão entre o Romu e os manifestantes para fazer o que chama de “pedido”.
“Tenho certeza que vai autorizar os vereadores que tem porte de arma de fogo andar armados pela nossa segurança, porque se abrir os portões sem o protocolo de segurança, nós estaremos em inseguros, tá OK? Então gostaria autorização para nós andarmos armados”, diz.
Assista
VEREADOR QUIS ENTRAR ARMADO NA CÂMARA! O Cornonel Ustra teve a coragem de fazer esse pedido OFICIALMENTE à Casa. Imaginem o que aconteceria se a extrema direita estivesse com arma de fogo na repressão de hoje! Isso que é democracia e diálogo para a base do governo Melo!!! Chega! pic.twitter.com/jBaXb9UtDA
— Natasha Ferreira (@eunatashapoa) October 15, 2025
Quem é Marcelo Ustra
Com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Marcelo Ustra Soares, sobrinho do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, símbolo da repressão durante a ditadura militar, conquistou uma vaga na Câmara Municipal de Porto Alegre. Ele recebeu 2.669 votos e foi um dos candidatos mais votados na cidade gaúcha em outubro de 2024.
Marcelo e Bolsonaro compartilham a admiração por Ustra, que faleceu em 2015, aos 83 anos, sem ser responsabilizado judicialmente pelos crimes de tortura. Nas redes sociais, o vereador eleito costuma exaltar a trajetória do coronel Brilhante Ustra, a quem se refere como o “pavor de Dilma Rousseff”. A ex-presidenta foi torturada durante a ditadura militar, em sessões comandadas por Ustra.
A expressão utilizada por Marcelo, “pavor de Dilma Rousseff”, foi a mesma usada por Jair Bolsonaro durante seu voto a favor do impeachment da então presidenta, em 2016. No governo do ex-capitão, o tenente-coronel chegou a atuar no Gabinete de Segurança Institucional. Ustra também integrou o grupo que acompanhou Jair Bolsonaro a Orlando após a derrota nas eleições de 2022.
