Tarifas e ameaças de Trump conseguem unir ainda mais o Brics: Lula vai à Índia, Modi, à China, Rússia atrai parceiros.
As investidas de Donald Trump contra seus aliados, que deverão pagar os principais custos do declínio imperial dos Estados Unidos, tem um custo geopolítico gigantesco. Se as investidas ainda não conseguem fazer a Europa falar uma única língua, teve um efeito contundente para unir os países do Brics.
Na quinta-feira (7), o presidente Lula conversou com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, sobre o tarifaço de Trump, aumento das relações comerciais e uma resposta conjunta do Brics. Os 2 líderes combinaram visita de Estado de Lula à Índia no início do próximo ano. Como etapa preparatória, acordaram que o vice-presidente Geraldo Alckmin irá ao país de Modi em outubro.
Lula deverá conversar em breve com o presidente da China, Xi Jinping. O Brasil também fará contatos com Rússia e África do Sul.
O movimento se dá também no Oriente. O India Today escreveu: “Como Trump uniu a Índia, a China e a Rússia contra os Estados Unidos”. A matéria fala sobre como Trump desencadeou um terremoto geopolítico e como as ameaças tarifárias “estão inadvertidamente aproximando três rivais históricos, no que pode marcar o início de um novo eixo de poder eurasiano.”
Narendra Modi confirmou que irá à cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (a Rússia também integra) em Tianjin, China, de 31 de agosto a 1º de setembro. O diálogo nas relações entre Índia e China, o “I” e o “C” do Brics, está em uma das melhores fases recentes.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e Narendra Modi mantiveram nesta sexta-feira uma conversa telefônica na qual discutiram muitas questões, na qual ficou claro que o líder indiano não se distanciará de Moscou e de seu “amigo”, apesar das medidas de pressão adotadas pelos Estados Unidos na forma de tarifas. Modi convidou Putin a ir à Índia este ano.
Carlos Braga Monteiro, CEO do Grupo Studio, comenta que a intensificação das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos tornou urgente a necessidade de o Brasil diversificar mercados. “Nesse cenário, a aproximação de Lula com líderes do Brics aparece como estratégia relevante para abrir portas em economias emergentes”, analisa.
Mas “a aproximação com os Brics é estratégica no longo prazo, mas insuficiente para compensar, de forma imediata, as perdas causadas pelas novas barreiras comerciais”, afirma Monteiro. Para ele, o cenário atual exige que o Brasil avance em duas direções ao mesmo tempo: ampliar as negociações internacionais para abrir novos canais de comércio e, internamente, criar um ambiente mais estável e competitivo.
IAB rumo aos 200
O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), mais antiga instituição de Direito da América Latina, completou 182 anos em 7 de agosto. A presidente nacional da entidade, Rita Cortez, declarou que a celebração da data é o reconhecimento da força de uma instituição que nasceu com a missão de ser guardiã das instituições democráticas e das liberdades públicas.
“Hoje, seguimos com o mesmo propósito: fortalecer a democracia, valorizar a advocacia, defender os direitos e escrever, com coragem e esperança, as próximas páginas do Direito brasileiro”, afirmou.
