Hoje é a minha estreia por aqui e, como sempre me acontece quando começo algo novo, devo confessar: estou com um certo friozinho na barriga. É o meu primeiro texto como colunista de um jornal. A diferença é que, desta vez, não escrevo apenas para quem já me acompanha, mas também para aqueles que chegam agora e talvez nunca tenham lido nada meu. Por isso, antes de falar sobre a coluna, considero justo me apresentar.
Sou alguém que sempre quis escrever, mas levou muito tempo até se permitir assumir-se como escritora. Quando jovem, enchia cadernos com poemas e pequenas histórias, mas nunca tive coragem de mostrá-los a ninguém. Era uma sonhadora que buscou a faculdade de Letras acreditando que ali encontraria o caminho para a escrita, mas por muitos anos só desempenhou o papel de uma professora apaixonada por livros. Demorei a sair do “armário” que aprisionava a escritora que me habitava. E quando finalmente saí, não voltei mais — nem pretendo.
Hoje sou uma escritora independente que se aventura em vários gêneros. Já participei de antologias de poemas, contos e microcontos e, mais recentemente, tenho me arriscado nas crônicas. Durante um período, publiquei meus textos na já extinta Paranhana Literária e em diferentes perfis literários. Em 2020, lancei meu primeiro romance, Para onde vão as borboletas à noite. Depois dele vieram Nada será como antes (2023), Antes de fechar os olhos (escrito em 2020 e lançado apenas em 2025) e Do tempo em que fomos rio (2025). Os dois primeiros ganharam formato físico; os dois últimos, por enquanto, estão disponíveis apenas na Amazon.
Escrevo bastante, como você já deve ter percebido. Semanalmente, publico uma newsletter no Substack, onde compartilho pesquisas para meu próximo romance. Na plataforma Sler, falo sobre literatura e, na Revista Voo Livre a cada dois meses, sai um texto meu sobre o ofício da escrita.
Aqui nesta coluna, que decidi chamar de Sem roteiro, a proposta é justamente essa: escrever sem a obrigação de um tema fixo ou de um leitor pré-definido. Pretendo escrever para qualquer pessoa que se permita acompanhar minhas divagações. Quero falar do cotidiano em suas múltiplas faces — e nisso cabem literatura, sociedade, história, política e tudo o mais que se entrelace na teia de assuntos que cruzam os meus dias.
Escrever sem roteiro será, de certa forma, confiar no inesperado. Às vezes, nascerá de um pensamento que me ocorreu na sala de espera do médico; outras, de uma lembrança dos tempos de criança. Pode surgir de uma cena comum, quase sempre despercebida, ou de uma opinião sobre um grande acontecimento.
Enfim, aqui busco a liberdade de falar sobre qualquer tema e espero que essas palavras encontrem um lugar junto aos leitores, um espaço de partilha, de reflexão e de pequenas descobertas.
