Reportagem d Al Jazeera e Liberty afirma que ao menos 12 instituições usaram serviços da Horus, dirigida por ex-oficiais de inteligência do Reino Unido, para rastrear alunos e palestrantes
Uma investigação conjunta da agência Al Jazeera e da Liberty Investigates revela que ao menos 12 universidades do Reino Unido contrataram uma empresa privada de segurança, dirigida por ex-militares, para espionar estudantes e acadêmicos que participaram de protestos pró-Palestina, durante a guerra de Israel em Gaza.
De acordo com a reportagem, a empresa Horus Security Consultancy Limited, dirigida por ex-oficiais de inteligência militar, foi contratada para rastrear atividades em redes sociais e produzir relatórios sobre protestos e indivíduos considerados ‘potencialmente relevantes’ pelas entidades, alegando segurança dos campi.
Entre as instituições que usaram os serviços da Horus constam a Universidade de Oxford, Universidade Metropolitana de Manchester, London School of Economics, Imperial College London, University College London (UCL), King’s College London (KCL), Universidade de Sheffield, Universidade de Leicester, Universidade de Nottingham, Cardiff Metropolitan University e Universidade de Bristol.
Fundada em 2006, como um projeto dentro da equipe de segurança da Oxford pelo ex-tenente-coronel Jonathan Whiteley, a empresa recebeu 443,9 mil libras (US$ 587,3 mil) para prestar o serviço às instituições de elite britânicas. A investigação focou no período entre 2023 e 2025, mas casos de espionagem em 2022 são mencionados.
O caso expõe o uso de ferramentas de vigilância baseadas em dados públicos e levanta preocupações jurídicas e éticas sobre a liberdade de expressão no ambiente universitário e a repressão da mobilização global contra os ataques de Israel em Gaza.
