Adeli Sell
Pessoas Idosas estão começando a dar as cartas. Lastimavelmente, governos, parlamentares e instituições estão quase sempre alheios a estas mudanças.
Meu título é uma provocação, falo de “velhos” para ver se nossos leitores se acordem.
É impressionante que os políticos, candidatos, não tenham esta pauta.
BRASIL EM DADOS
O Brasil chega às eleições de 2026 com uma transformação silenciosa, mas profunda: o envelhecimento do eleitorado. Levantamento da Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, com base em dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que o número de eleitores com 60 anos ou mais cresceu 74% entre 2010 e 2026 — cinco vezes mais que o crescimento do eleitorado total no mesmo período, que foi de 15%. Em números absolutos, o grupo saltou de 20,8 milhões para 36,2 milhões de pessoas aptas a votar.
E daí, será que os candidatos vão se acordar?
AVANÇO E PESO DO VOTO DA PESSOA IDOSA
Esse avanço reposiciona completamente o peso político dessa parcela da população.
Em 2026, os eleitores 60+ representam 23,2% do total — quase o dobro da participação dos jovens de 16 a 24 anos, que somam 11,9%. Na prática, isso significa que quase um em cada quatro votos no país virá de pessoas idosas.
MUDANÇA ESTRATÉGICA
Segundo o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski, o cenário impõe uma mudança estratégica nas disputas eleitorais. “Não se ganha mais eleição negligenciando as demandas desse grupo”, afirma.
PRESENÇA NA URNA
O contingente dos 60+, 70+, 80+ é mais fiel, é mais afeito a seus compromissos históricos e sócias, assim ele não tende a se abster de ir votar.
Como a pesquisa, mostra, além de crescer em número, o eleitorado idoso também tem aumentado sua participação efetiva nas eleições.
Dados do levantamento mostram que a taxa de abstenção entre pessoas com mais de 60 anos caiu de 37,1% em 2014 para 34,5% em 2022, enquanto a abstenção geral subiu de 19,4% para 20,9% no mesmo período.
Adeli Sell é professor, escritor e bacharel em Direito.
